SAUDAÇÃO

Bem-vindos amigos! Saudações ferroviárias!

terça-feira, 20 de março de 2012

TRIBUTO 'AS MKs

Minha origem na ferrovia como maquinista foi nas Locomotivas Diesel-Elétricas. Em 1987, eu e meus companheiros ( muitos ainda trabalhando juntos até hoje ), ingressamos na CBTU - Companhia Brasileira de Trens Urbanos e fomos lotados na antiga ORT-6, no Depósito de Máquinas de São Diogo - Rio de Janeiro, onde fomos apresentados àquelas locomotivas que naquela época já contavam com mais de três décadas de serviços prestados à nossa ferrovia. Aprendemos desde o início que as Locomotivas receberam o apelido de "Canadense", identificando sua origem e que também eram conhecidas como "MK" mas esta sigla ninguém conseguiu nos explicar. O fato é que aquele nosso entusiasmo inicial fez aguçar nossa curiosidade em saber de onde vem o termo "MK" e apresentar a importância da nossa Locomotiva no passado e no presente em vários estados do Brasil e também em outros países como nos Estados Unidos e em Portugal. Até hoje tenho um carinho muito especial por esse tipo de trabalho da Tração.
Interior do antigo Depósito de Máquinas de São Diogo. Ao fundo, quadro de controle geral de MK. De pé, nosso  primeiro instrutor na ferrovia, o Sr. Alcedilo Leal.

                                                        Mas o que significa a sigla MK?

A Estrada de Ferro Central do Brasil ( EFCB ) adquiriu entre 1945 e 1952 as Locomotivas modelo RS-1 de 1000 HP e RS-3 de 1600 HP para alavancar o transporte de passageiros de longo percurso e que através dos anos foram destinadas aos serviços de manobras e manutenção. As empresas que forneceram essas Locomotivas para o Brasil foram a American Locomotive Company ( ALCO ), dos Estados Unidos, criada em 1901, em trabalho conjunto com a General Eletric ( GE ), fundada em 1878, ambas de  Schenectady, New York. A ALCO construiu os Motores-Diesel e a GE ficou responsável pelos Motores de Tração e pelos Geradores. Seguindo uma linha expansionista a ALCO adquiriu em 1904 a empresa Locomotive & Machine Company of Montreal, do Canadá, em 1904, surgindo neste país a Montreal Locomotive Works ( MLW ) que na época da fabricação das  ALCO RS-3, formou uma parceria  com a empresa MK Company ( Morrison - Knudsen Company ). A MK Co. era uma das maiores empresas de projetos e de infra estrutura dos Estados Unidos, nasceu da parceria dos empresários Harry Morrison e Morris Knudsen, iniciada quando os dois trabalharam juntos na construção do Canal de New York em 1905. A empresa cresceu e abraçou outros segmentos, inclusive o setor ferroviário, tornando-se líder mundial em construções atuando em cerca de 60 países.  Daí vem o termo "MK" para as nossas Locomotivas.
Logotipo da ALCO-GE
Antiga placa de bronze das locomotivas da MLW

Logotipo da MK Company
Morrison, o "M" da MK
Knudsen, o "K" da MK



Turma de construtores de locomotivas da MK Company, Canadá, década de 1950
Vagão de lastro da Morrison-Knudsen na atualidade, Estados Unidos


Desenhos da RS-3 feito no Brasil, lateral e frontal. As RS-3 foram fabricadas entre outubro de 1946 e agosto de 1953 em Montreal, Canadá, num total de 1.753 unidades. O Brasil recebeu 48 unidades da RS-3

Especificações técnicas da RS-3
    


                                                                                 
                                                                                             ESTADOS UNIDOS


Circulando pela High Line ( Linha Elevada ) em New York, década de 1950. Ao fundo o Empire State.
Abastecimento e manutenção, 1967
Delaware & Hudson


Pátio de manobras da New York Central


                                                             
                                                                    PORTUGAL
Locomotiva da Empresa Ferrovias e Construções S.A. em serviço na cidade de  Santarém,  Portugal


Cabine de comando da RS-3 da empresa Ferrovias e Construções S.A.
                                   
Locomotivas da empresa Somafel - Engenharia e Obras Ferroviárias na cidade de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal

A Sofamel tem sede na cidade de Porto Salvo
Placa da ALCO-GE numa Locomotiva da Sofamel
                                 

                                                 


                                                                                BRASIL
ALCO RS-3 fazendo o " Trem Cata-Jeca" em Minas Gerais
                                   
Em Minas Gerais recebeu o curioso apelido de "Rabo Quente "
                                                          TOCANTINS E MARANHÃO
ALCO RS-3 da empresa SPA Engenharia na Ferrovia Norte-Sul em Tocantins
                           
Em 2008, Lula e Sarney na inauguração de um trecho da Ferrovia Norte-Sul que liga o Tocantins ao Maranhão

                                                                      SÃO PAULO
antiga Companhia Paulista
                                                 
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos ( CPTM )

                                     
                                                   
É uma ALCO RS-3 que traciona o Expresso Turístico da CPTM que parte da Estação da Luz para Jundiaí, Mogi das Cruzes e Paranapiacaba
                                                                     
Aspecto da Estação da Luz antes da partida do Expresso Turístico
                                                                 RIO DE JANEIRO
Antiga MK 7125 nas Oficinas de Locomoção do Engenho de Dentro na década de 1980. Hoje é onde está localizado o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão.
                                     

MK 7125 na passagem de nível entre a Locomoção e a  parte inferior da Estação Engenho de Dentro. Esta passagem ficava ao lado do Museu do Trem.
                                         
Comboio de MKs no Engenho de Dentro, 1982
                                       
MK de prontidão no antigo Desvio 18, pátio de DPII - 1984
                                 
                                                         

Na Serra das Araras
                                                     
Trecho na Serra

                                                                     
Uma Locomotiva modelo RS-1 no pontilhão da oficina de Deodoro, década de 1970
                                                   
Comboio de MKs na Linha A em DPII em 1993 'a caminho de Barão de Mauá
                 
Em Barão de Mauá
                                                               
MK 7115 e carro de passageiros da Central Logística em Barão de Mauá
                               
Painel de controle da MK 7115
                                                     
Duas MKs em Deodoro
                                                                       
MK e vagões de manutenção de Rede Aérea
                                       
                                                           
MKs 7120 e 7121 em resgate da Manobreira nº 7 do Arará para Barão de Mauá. Equipes da Supervia, MRS e Associação Fluminense de Preservação Ferroviária.
Deodoro. Reboque do novíssimo Trem Chinês em 2012

                                 



segunda-feira, 12 de março de 2012

ALCO RS-3 em manobra nos Estados Unidos

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Uma homenagem ao pioneiro


Irineu Evangelista de Souza

A personalidade empreendedora de Irineu Evangelista de Souza (1813-1889) tornou possível a implantação da ferrovia no Brasil. Gaúcho de Arroio Grande, veio para o Rio de Janeiro acompanhado de seu tio aos 11 anos de idade após a morte de seu pai. Trabalhou na casa de comércio do português, Antonio Pereira de Almeida, até conhecer o escocês Richard Carruthers que lhe empregou em sua empresa de importação aos 17 anos de idade. Com Carruthers aprendeu o idioma inglês e também contabilidade. Irineu demonstrou-se um jovem de grande potencial na arte de comerciar, chegando ao cargo de gerente aos 23 anos e em seguida tornou-se sócio da empresa.


Richard Carruthers
Levado pelas mãos de Carruthers, que Irineu considerava como pai, foi iniciado na Maçonaria que influenciou diretamente sua personalidade. Casou-se aos 27 anos com sua própria sobrinha, filha de sua irmã, a jovem Maria Joaquina, a quem tratava carinhosamente de "May" que contava na ocasião com apenas 15 anos de idade e teve com ela 18 filhos, dos quais 11 sobreviveram ao parto e destes, apenas 7 chegaram a maioridade. A família morava no bairro de São Cristóvão, no casarão que pertenceu a Marquesa de Santos, onde hoje abriga o Museu do Primeiro Reinado.

Maria Joaquina (May)

Nesta época Irineu começa sua carreira de industrial. Traz da Inglaterra a tecnologia necessária para realizar uma verdadeira onda de modernidade, industrializando um país essencialmente agrícola. Adquiri uma fundição de ferro em Ponta de Areia, Niterói, e a transforma num estaleiro para construções navais, cria uma companhia de navegação no Amazonas, canaliza o Rio Maracanã, promove a iluminação a gás do Rio de Janeiro e funda um novo Banco do Brasil. Irineu é citado por Julio Verne em sua obra "A Volta ao Mundo em 80 dias" quando o personagem Mister Fogg se refere a ele como o "único banqueiro confiável do hemisfério Sul".
A Baroneza

No dia 30 de Abril de 1854, aos 40 anos de idade, Irineu Evangelista de Sousa, inaugura a Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis. Trata-se da primeira ferrovia do Brasil, que ligava a localidade de Mauá até Fragoso e ficou conhecida como Estrada de Ferro Mauá. Neste dia, que é o dia do ferroviário, Irineu recebe o título de "Barão de Mauá" e a locomotiva que percorreu o trajeto de 14,5 Km em 23 minutos, recebe o apelido de "Baroneza", em homenagem a sua esposa May.  Esta locomotiva pertence ao acervo do Museu do Trem, no bairro do Engenho de Dentro. Mauá também possui o título de Patrono do Ministério dos Transportes.
Patrono do Ministério dos Transportes
Brasão do Barão de Mauá - a locomotiva, o barco a vapor, quatro lampiões a gas e a inscrição LABOR IMPROBUS OMNIA VINCIT ( O trabalho honrado sempre vence ) 

Quando o Imperador começa a construir a nossa Estrada de Ferro Dom Pedro II, é com o aval do Barão de Mauá que isto se torna possível, inclusive colocando a disposição dos ingleses, responsáveis por sua construção, seus bens pessoais como garantia de pagamento do governo imperial.

Em 1874, instala o cabo telegráfico submarino ligando o Brasil a Europa, e por isso recebeu o título de Visconde de Mauá aos 61 anos de idade.

Crises políticas e econômicas fazem com que Irineu venda grande parte do seu patrimônio para saldar honrosamente suas dívidas e, ainda assim, já sexagenário, torna-se agenciador  comercial de café fazendo um bom dinheiro.

Após uma vida de realizações pessoais e com o sentimento de ter colocado o Brasil no rumo do progresso, Mauá veio a falecer no dia 21 de outubro de 1889, aos 75 anos de idade, vitimado pelo Diabetes na sua residência em Petrópolis. Seu corpo é transportado de trem pela ferrovia que ele construiu para ser sepultado no Cemitério do Catumbi.
Visconde de Mauá

Na literatura o livro  "Mauá - Empresário do Império" - Jorge Caldeira.

No cinema o filme "Mauá - O Imperador e o Rei"
Distintivo da Loja Maçônica Barão de Mauá da cidade de Santos

Estátua do Barão na Praça Mauá erguida em 1910 por iniciativa do Clube de Engenharia